• Apontamentos e aprimoramentos

    257/2022
    257 - 2022 (14/09/2022)
    Mensagem

    Anotemos as nossas necessidades morais, sem esperar que alguém no-las aponte, e lancemos-nos à obra restaurativa.
    nunca estamos sozinhos ou desamparados
    +257-108
    muita paz

    Reflexão

    Será que conseguimos perceber nossas necessidades morais para anotá-las? 

    Talvez sigamos tão desnorteados e desconhecedores de nós mesmos que estejamos apenas sentindo um grande vazio interior que tentamos preencher sem sucesso efetivo a todo custo.

    Talvez nossas dores crônicas, nossos conflitos, nossos atos violentos sejam sintomas de necessidades morais não atendidas.

    Mas conseguiremos realmente olhar para a raiz, para o interior do buraco negro que habita em nós sem nos perdermos? 

    Talvez o apontamento de nossas necessidades por outras pessoas seja a ponte que necessitamos, a via importante em nosso processo de instaurativo de nós mesmos.

    Preferi inclusive utilizar a ideia de uma obra instaurativa ao invés da ideia de uma obra restaurativa porque talvez estejamos equivocados ao pensarmos que há algo já instalado que se corrompeu e sobre o qual temos consciência e clareza de percepção suficientes para anotarmos algo.

    Talvez seja vital e saudável pensarmos na necessidade de notar um processo em curso onde o amadurecimento espiritual é conequência natural. 

    Só anotamos aquilo que notamos. 

    Só notamos aquilo que conhecemos.

    Só conhecemos o que instauramos.

    Penso, entretanto, que só desejamos instaurar algo quando somos levados a perceber que o contexto vivido não é satisfatório e que há oportunidades de ampliação e de melhoria. 

    Esta percepção se dá no limite entre nós e o outro, quando somos afetados pelos apontamentos.

    Talvez haja uma reflexão importante sobre a relação entre sabedoria e sensibilidade. Talvez, à medida que amadurecemos, os apontamentos possam ser menos contundentes, mais sutis.

    Talvez estes apontamentos se tornem tão sutis que o próprio apontador não se dá conta deles. Mas acredito que todo o movimento de auto-aperfeiçoamento, de instauração de valores morais inicia-se na periferia, no limite entre nós e o outro.