• contemplar, acolher e assistir

    261/2022
    261 - 2022 (18/09/2022)
    Mensagem

    senhor, ensina-me a contemplar e a acolher:

    a estrela na escuridão.
    a ternura na seriedade.
    o tudo no nada.
    o silêncio no barulho.
    o belo no simples.
    a misericórdia no olhar.
    o perfume no perdão.

    que assim seja
    +261-104
    muita paz
     

    Reflexão

    Todas as criações são dignas porque são exercícios autênticos de quem busca assumir seu lugar no mundo.

    Mas nem sempre conseguimos nos felicitarmos e nem reconhecermos esta dignidade. 

    Talvez olhemos e supervalorizemos a construção do outro.

    Talvez deixemos que o outro normatize as experiências coletivas usando suas próprias como referência, o que nos põe em uma posição de desvalorização e de inferioridade.

    Talvez não consigamos perceber que a experiência que o outro apresenta é só uma parte de uma narrativa que, assim como a nossa, é repleta de dores e dificuldades que correm em paralelo com o que parece ser felicidade inabalável.

    Talvez nosso ponto de vista só permita ver uma parte da narrativa, o que faz com que signifiquemos parcialmente nossa realidade.

    Talvez estejamos comparando coisas diferentes como se fossem iguais e estivessem no mesmo momento, o que pode gerar distorções no que contemplamos.

    Um belo pomar começa em terra nua onde o solo precisa ser preparado para receber mudas e sementes. A produção inicia-se muito antes da colheita e se compararmos plantações em estágios diferentes talvez nos entristeçamos porque ainda não estamos colhendo, mas nos esquecemos que há épocas específicas para plantar e para colher.

    A estrela, a ternura, o tudo, o silêncio, o belo, a misericórdia e o perfume sempre estarão presentes na vida e poderão ser encontrados em todos os terrenos. Talvez estejam ainda em estágio de plantio que demandará tempo até a colheita. Talvez só sejam diferentes de nossa de nossas expectativas.

    Contemplar a vida e abrir-se para acolhê-la como ela nos é apresentada talvez seja o primeiro passo para nos sentirmos contemplados, acolhidos e assistidos pela criação