• Educar ou punir?

    280/2022
    280 - 2022 (07/10/2022)
    Mensagem

    Nunca julguemos os outros e muito menos condenemos, porque, se eles têm um cisco no olho , provavelmente nós tenhamos uma trave.
    +280-085
    muita paz
     

    Reflexão

    Se o julgamento e a condenação são caminhos que pensamos como viáveis para a resolução do problema e para a melhoria ética do sujeito em suas abordagens relacionais na sociedade; me pergunto se não deveríamos também acolher o julgamento e a condenação de nossos erros como caminho viável para o nosso aprimoramento e melhor integração à sociedade.

    Será que o problema reside em evitar os julgamentos e condenações de nossas falhas?

    Penso que este não deveria ser nosso foco, embora seja. 

    Se há falhas comportamentais que geram prejuízos; nós não deveríamos encarar de frente tais problemas e buscar as soluções?

    Por que tememos as condenações? 

    Talvez todos nós estejamos sentenciados a vivenciar circunstâncias que nos tornarão eticamente mais responsáveis e mais felizes; mais integrados ao universo, mais capazes de viver no amor pleno que dirige o universo.

    Resta-nos pensar sobre a forma como estas sentenças são delineadas e executadas. Talvez sejam duras e pouco eficientes. Talvez causem medo e aversão.

    Acredito que existam dois aspectos que precisam ser elaborados em nosso coração quando falamos em julgamento e condenação.

    Primeiramente; quais são os sentimentos que imperam no coração da vítima, das autoridades e dos demais cidadãos que observam a ocorrência e seus desdobramentos? 

    Estaremos mapeando apenas o erro, buscando a reparação para o dano e o aperfeiçoamento do infrator e da sociedade?

    Talvez a reparação exigida esteja conectada à vingança e suprima a possibilidade de aperfeiçoamento. 

    Talvez nem estejamos julgando o ato de forma isenta. Será que nossa foco não está no símbolo que ele indica em uma cultura com história de muita dor, exclusão, preconceito e medo?

    Talvez estejamos sendo tiranos que desejam coibir atos futuros usando um evento atual como exemplificação para fazer imperar o medo e submeter o outro à nossa visão de mundo.

    Talvez não estejamos atentos para o fato de que um ato que gera dano nasce não apenas pelas mãos do infrator, mas também das contradições, fraquezas e imperfeições de uma sociedade que ainda não consegue se perceber e interagir de maneira humana, fraterna, solidária e amorosa rumo ao estabelecimento de um contexto de respeito às diferenças de amor e de progresso.

    Talvez estejamos buscando um bode expiatório para as falhas coletivas promovendo assim uma válvula de escape para nossas próprias tensões, medos, culpas e frustrações.

    Queremos uma sociedade melhor ou uma sociedade imutável que perpetue seu status de indiferença moral? Precisamos levar isso em conta quando olhamos para a falha do outro.

    Será que acredito no potencial do outro que, embora seja diferente do meu, pode contribuir para a construção de uma bela e pacífica sociedade?

    Isto nos leva ao segundo aspecto que deve ser elaborado em nosso coração.

    O que é prioritário no processo de diálogo coletivo sobre o erro? Queremos sentenças que gerem questionamentos, diálogos e revisões que capacitem e possibilitem a transformação da sociedade com incrementos contínuos de paz e de bem-estar?

    Ou apenas desejamos calar os ofensores do sistema que apresentam falhas no status social atual que, por natureza é imperfeito? Talvez estejamos lutando para manter as coisas como estão e estejamos usando a culpa e o medo para fazer um ponto-de-vista prevalecer.

    Talvez queiramos efetivamente fazer um ponto de vista prevalecer sobre outros e eliminar as possibilidades de manifestação, de diálogo, de mapeamento de falhas e de transformações.

    Enquanto nós seguirmos apostando no julgamento e na condenação como ferramentas que constrangem a sociedade e eliminam o erro permitindo a concretização de vinganças e estabelecendo marcos de respeito imposto; temeremos a possibilidade de que nossos erros se tornem públicos.

    Seguiremos queimando lâmpadas, fazendo poeira e gerando ruídos para não sermos descobertos e não seremos capazes de trabalhar o desenvolvimento de nossas próprias capacidades humanas.

    Acredito que o julgamento dos atos, o acolhimento das vítimas e dos agressores, a instrução da sociedade, a construção de condenações produtoras de prosperidade e o diálogo constante para a busca das melhorias contínuas e da integração de todos deveriam ser ações perseguidas intensamente por todos nós.

    Assim nos sentiremos seguros para admitir as traves que temos em nossos olhos, para pedir apoio e para nos responsabilizarmos pelas ações necessárias de desobstrução.