• Ambiguidade e compreensão

    096/2023 - Ambiguidade e compreensão
    96 - 2023 (06/04/2023)
    Mensagem

    É um luxo, é útil, desfrutar de nossa companhia em momentos de solidão por opção.
    Conhecer o que nos faz bem, o que nos completa, o que nos basta….
    +096-269
    muita paz

    Reflexão

    Frequentemente me surpreendo com o uso de algumas palavras. Acho que sou muito crítico quanto aos conceitos e ideias que estão por trás delas.

    Esta citação me trouxe este estranhamento!

    Ver as palavras luxo e útil combinadas como se fossem equivalentes em uma sentença despertou certa curiosidade e aguçou minha criatividade sobre possíveis explicações

    Algo útil e, ao mesmo tempo, luxuoso apresentaria a ideia de que escassez? Será algo que, embora importante, é pouco acessível à maioria das pessoas? 

    Seria algo cuja utilidade não é facilmente percebida pela maioria a ponto de ser visto como luxo?

    Segundo o dicionário do Google, luxo seria:

    1. maneira de viver caracterizada pelo gosto do fausto e desejo de ostentação, por despesas excessivas, pela procura de comodidades caras e supérfluas.
    2. qualquer bem, objeto caro que origina despesas supérfluas.

    Ainda pela mesma fonte, útil seria:

    1. que pode ter ou tem algum uso; que serve ou é necessário para algo.

    2. que traz proveito, vantagem; de que resulta o que se espera; proveitoso, profícuo, vantajoso.

    3. reservado à atividade produtiva.

    Não pretendo, entretanto, apresentar uma visão conclusiva a partir de minha subjetividade. Achei interessante apresentar o estranhamento por acreditar que este não seria um luxo, mas, pelo contrário, poderia ser útil...

    Sigamos em frente, considerando a importância de podermos escolher viver momentos de solidão em que estamos em contato conosco mesmos...

    Acho que nos distraímos com muita facilidade. Facilmente nos deslocamos de nossos objetivos, metas e propósitos quando estamos na presença de outras pessoas.

    Talvez existam diversas causas para esta distração. Cito algumas que pensei sem o compromisso de exaurir as opções:

    - Necessidade de convívio, 
    - Para nos sentirmos participantes de algo maior, 
    - Para não sermos excluídos, 
    - Para não sermos vistos como pessoas que não correspondem às ideias do coletivo em que transitamos,
    - Para evitar constrangimentos,
    - Por respeito ao outro,
    - Por medo,
    - Por baixa autoestima,
    - Por carência,
    - Por insegurança,
    - Por ignorância,
    - Por desconhecimento...

    Nos momentos de solidão, embora percamos a possibilidade do diálogo e da troca com o outro, ganhamos a oportunidade de avaliarmos com mais clareza quem somos, nossos gostos, nossas carências e nossos desejos.

    Em uma sociedade invasiva como a nossa, talvez estes momentos de solidão sejam raros e difíceis de construir.

    Somos monitorados, observados e vistos o tempo todo; ou pelo menos nos sentimos assim!

    Compartilhamos nossas casas, os espaços onde trabalhamos, os espaços onde praticamos nosso lazer e os espaços de trabalho com tantas pessoas que as ideias de segurança, privacidade e solidão são difíceis de serem conjugadas.

    Será que é por isso que pensamos em uma utilidade luxuosa?

    Mas talvez nem consigamos perceber a importância destes momentos para o nosso crescimento individual!

    Parece que temos dificuldade em nos desvencilharmos do olhar do outro... 

    - Compartilhamos nossos momentos privados nas redes sociais submetendo-os ao julgamento do outro,
    - Evitamos ficar sozinhos,
    - Preenchemos nossas solidões com redes sociais, séries de TV e streamings,
    - Adotamos aparelhos como rádios e televisões ligados até mesmo no momento em que estamos dormindo,
    - Fugimos do escuro,
    - Entristecemos quando ninguém entra em contato conosco,
    - Adotamos comportamentos exóticos que chamam a atenção do outro...

    Por este olhar, talvez julguemos os momentos de solidão como um luxo, como algo desnecessário e sem importância...

    Mas, quando nos conhecemos melhor, aprendemos a gostar do que descobrimos e defendemos estes momentos em que somos invadidos pelo outro.

    Não sei se há coerência em nossos corações. Mas, sobre o assunto abordado, ainda tateamos e carecemos de caminhos para compreender melhor este binômio nós-e-o-outro...