• 010/2022
    10 - 2022 (10/01/2022)
    Mensagem

    NÃO É PROPRIAMENTE NOSSO CORPO O RESPONSÁVEL PELAS INTENÇÕES, EMOÇÕES E SENTIMENTOS QUE RESSOAM EM NOSSOS ATOS E ATITUDES, MAS NÓS MESMOS, ESPÍRITOS EM PROCESSO DE APRENDIZAGEM E EDUCAÇÃO
    +010-355
    MUITA PAZ

    Reflexão

    Acho que há uma cota de responsabilidade distribuída entre nossa essência espiritual, nosso corpo, nossos ancestrais, nossa cultura, o passado cultural da humanidade e o meio ambiente.

    No cerne de todas estas respostas encontramos o espírito.

    A doutrina espírita nos diz que o espírito, criatura imortal em processo de desenvolvimento intelectual e moral, assume uma experiência material  através de um corpo  em um processo chamado de reencarnação.

    Ainda segundo a doutrina espírita, o contexto reencarnatório do espírito é condizente com suas necessidades de aprendizado e o responsabiliza por acertos e por erros do passado, mas também carrega oportunidades de aprender novas facetas da vida.

    Penso que, uma vez reencarnado, o espírito constitui uma personalidade condizente com o local e com o tempo em que vive. Ele Carrega a intuição de quem foi, não se recorda de sua identidade espiritual e sofre grande influência imediata de seu corpo, de seus familiares e de sua cultura que, por sua vez, formataram-se sob a influência das construções históricas dos ancestrais, das culturas anteriores e do ambiente que vai se modificando com o tempo.

    Por tudo isso, hoje penso que há cotas de responsabilidade distribuídas entre todas estas camadas que se unem para compor o indivíduo.

    Meus ancestrais são responsáveis porque deixaram enorme legado que pesa sobre mim na forma de tradições, traumas e experiências que caracterizam minha família e a mim.

    A população de encarnados com a cultura coletiva que constituiu e que caracteriza a humanidade não pode deixar de ser responsável coletivamente por hábitos e maneiras de pensar a realidade que, por certo, influenciaram na maneira como me porto.

    Os aspectos materiais que estão conjugados no momento que vivo são determinantes importantes na constituição da cultura e na estruturação biológica de meu corpo. Talvez parte de minha personalidade e de meus hábitos só existam pelo contexto ambiental em que me encontro.

    Todas as construções passadas, estados biológicos, geológicos e climáticos e estabelecimentos culturais do passado contribuíram para a caracterização do que vivemos hoje e, portanto, também possuem uma cota de responsabilidade pelas decisões que tomamos hoje.

    Intersomos entre nós, seres humanos, e também com a natureza. Somos quem somos porque os outros são quem são. 

    Há uma relação que conecta a tudo e a todos e que interfere na maneira de sermos. 

    Como negar a responsabilidade desta relação em nossas ações,  pensamentos, intensões, emoções e sentimentos?

    É claro que neste processo individual só nos tornamos quem somos, reencarnados onde e quando estamos, porque carregamos nossas necessidades espirituais específicas.

    Somos responsáveis majoritários pela condução de nossa história e pelas interferências que fazemos no mundo.

    Acredito que, à medida que nossa consciência espiritual se amplia, que nos percebemos como espíritos, nossa responsabilidade perante nós mesmos aumenta.

    Penso no espírito como uma criança que se desenvolve e amadurece. 

    Quando pequena, a criança não é responsabilizada por diversas ações. Ela não é culpada e nem punida por não prover seu próprio sustento e não lhe negamos comida porque não trabalha.

    À medida que a criança cresce e aumenta suas habilidades, ela passa a se responsabilizar por diversos aspectos de sua vida.

    A partir de determinado momento passamos a imputar pesadas responsabilidade ao ser crescido, que foi criança. 

    Aspectos comportamentais que eram tolerados na infância não são mais na vida adulta e espera-se que este sujeito se responsabilize por si mas também pelo coletivo.

    Penso que algo semelhante ocorre com os espíritos no processo de desenvolvimento intelectual e moral.

    Mesmo como adultos constituídos, talvez não possamos ser responsabilizados por absolutamente todos os nossos hábitos porque nossa consciência espiritual ainda não é plena, ainda desconhecemos aspectos da vida e nos faltam habilidades.