• Percebendo o essencial

    123/2022
    123 - 2022 (03/05/2022)
    Mensagem

    O amor é a natureza ensinando, gratuitamente, como a vida acontece.
    tudo produz amor.
    *Todas as manifestações emolduradas pelas atitudes dos seres falam de amor. *
    O bem fala da presença do amor, o mal grita por ele.
    O abandono clama pela acolhida do amor.
    Sendo assim, ame.
    *+123-242*
    muita paz

    Reflexão

    É muito interessante como a maneira de articularmos as ideias podem nos ajudar a ampliar o entendimento das questões da vida e trazer forças para os enfrentamentos necessários.

    Entendo que o amor está presente em tudo e em todos. A razão me diz que deve ser assim. 

    Tenho a crença de que através do ato de amar nós projetamos este amor através das relações que estabelecemos e assim alimentamos o mundo e somos alimentados por ele.

    Quando sentimos o amor fluindo em nossa direção nós nos sentimos envolvidos, sustentados e supridos. Mas quando não somos capazes de percebê-lo nos sentimos abandonados, não integrados e solitários.

    Podemos até mesmo nos desesperar com o sentimento de solidão e de abandono. Raiva, violência, estados depressivos e desesperança tornam-se presentes e constantes em nossos sentimentos, pensamentos e atos.

    Mas será que nos falta amor?

    Defendo a teoria de que jamais nos falta amor. 

    Talvez nós não sejamos capazes de percebê-lo ou até mesmo estejamos esperando que ele venha a nós em determinadas formas ou através de determinadas relações e, diante da frustração desta expectativa, nos sentimos abandonados.

    Acredito que a vida se caracteriza por uma potente e infinita rede de relações que nos conectam dando sentido ao que somos e vivemos.

    Não existe um elemento do universo que não esteja conectado a outros. Não existem elementos no universo que não se relacionem.

    Talvez o mal que alguns de nós praticamos seja uma tentativa desesperada de sinalizar para a rede da vida através de outras relações que nós temos uma relação específica em que não está fluindo o amor que achamos que deveria.

    Talvez este mal praticado seja uma atitude desesperada de tentarmos reestabelecer ou de manter o fluxo de amor em uma determinada relação por onde  não está fluindo o amor que achamos que deveria

    Talvez os estados melancólicos, depressivos e de desesperança sejam devido à dificuldade de enchergamos outras relações além daquelas que acreditamos que deveriam nos alimentar e nutrir de amor mas que, por alguma razão, não estão funcionando.

    Temos grande capacidade de idealização do mundo e de nós mesmos. Esta é nossa forma de gerarmos entendimento sobre o mundo e sobre nós.

    Produzimos nossas certezas e verdades, talhamos o mundo à nossa volta segundo estas idealizações. Isto nos dá força para agirmos sobre o mundo com autonomia e criatividade mas, de certa forma, nos limita.

    Somos limitados quanto à percepção do mundo como ele é porque estamos presos às idealizações que criamos. Vemos e interpretamos o mundo segundo lentes parciais e especializadas que criamos para nós mesmos como exercício de ampliação da compreensão sobre a vida.

    Não tenho dúvida de que nos beneficiamos dos olhares parciais especializados. Eles são vitais para gerarmos novos conhecimentos e habilidades.

    Mas acredito que precisamos exercitar a capacidade de reconhecimento do limite de nossas idealizações e assumirmos que existe algo além delas que é potente, vigoroso e vitalizante. Só assim seremos capazes de agir com expediente quando nossas idealizações não estiverem funcionando e entrarmos em estados de desespero e de desesperança.

    Saber que há relações com o mundo que podem nos alimentar com o amor de que precisamos, mesmo que nós não sejamos capazes de percebê-las traz esperança e mobiliza forças para ampliarmos nossas idealizações até alcançcarmos patamares de maior realidade que possam nos nutrir.

    Saber que sou amado, que recebo amor do universo, mantém minha esperança e minha fé e me ajudam a contornar a violência e os estados depressivos quando me sinto solitário e abandonado.

    De algum lugar há amor fluindo para mim e me mantendo vivo. Tudo que preciso fazer é me conectar a este amor com vigor e seguir em frente em minha busca pela compreensão de mim mesmo e do mundo que me levará a reconhecer a origem deste amor e a forma como ele se manifesta sobre mim.