É no encontro com os desafios que nossa alma se fortalece, porque não nascemos prontos.
+138-228
muita paz
Fiquei pensando sobre este diálogo entre propósito, desejo e estar pronto.
Daí, foi inevitável me perguntar: Pronto para quê?
Repentinamente pensei que estar pronto talvez seja o ápice do processo de atendimento do desejo, que reverbera nosso propósito de alguma forma. Seria a concretização do que foi sonhado, a convergência bem-sucedida de nossos esforços de conquista.
Sentimos falta de algo ou queremos realizar algo. Este seria o início do estar pronto. Observamos, tememos, nos enchemos de coragem e partimos para a realização de nosso desejo.
Nesta etapa de realização, sabemos o que queremos, mas não há clareza sobre o que é necessário para concretizar este querer. Iniciamos então um processo de reinvenção de nós mesmos. Desenvolvemos habilidades, acumulamos recursos, desfazemos impedimentos, ultrapassamos obstáculos, confrontamos adversários, fazemos alianças...
Não estamos prontos para conquistar o alvo de nosso desejo e gozar, mas criamos caminhos para o gozo.
Outra leitura possível para o "estar pronto" pode ser o momento em que sabemos o que queremos e decidimos iniciar a realização do desejo, caminhando para o gozo, para a fruição, por esforços e superações. Neste sentido, estar pronto talvez signifique termos a clareza do que queremos, embora não saibamos como concretizar este desejo mapeado.
Nas duas possibilidades que vejo, conquistar algo desejado ou ter clareza sobre o que é desejado, teremos construído conhecimento, adquirido maturidade e desenvolvido competências. Será que isto significa fortalecer-se?
Mas o que significa fortalecer-se? Um homem cis pode ser forte em termos de levantamento de peso, mas nunca será forte para ser mãe. Podemos ser fortes para algumas coisas e simultaneamente fracos para outras!
Se temos um desejo claro, nos fortalecemos para realizá-lo. Se sentimos que nos falta algo, mas não temos clareza sobre este algo, ser forte talvez seja sermos capazes de definir este desejo com clareza.
O desafio de não saber o que se deseja ou de não saber realizar o que se deseja é que nos provoca a crescermos, a desenvolvermos força.
Curiosamente, estar pronto é apenas uma etapa do processo e não o final dele.
Após prontos, gozamos. Mas precisaremos desarticular a energia que empenhamos para o gozo e dirigi-la para outros desejos de gozo, caso contrário, nos aprisionaremos à situação e nos fecharemos a novas vivências fortalecedoras, passando a viver estados de estagnação e de acomodação que podem ser danosos.
O fim do processo de fruição do desejo, que passa pela sua descoberta e concretização, talvez encerre com o desapego. Aqui, no desapego, talvez possamos pensar em uma terceira interpretação de "estar pronto".
Tendo atendido o desejo, tendo gozado, estaremos prontos para exercitar o desapego dirigindo nosso potencial executivo em outras direções? Sob esta visão, em última análise, seria viver a morte, ainda que simbólica, que traz renovação, novas possibilidades e desejos.
Fiquei pensando sobre este diálogo entre propósito, desejo e estar pronto.
Daí, foi inevitável me perguntar: Pronto para quê?
Repentinamente pensei que estar pronto talvez seja o ápice do processo de atendimento do desejo, que reverbera nosso propósito de alguma forma. Seria a concretização do que foi sonhado, a convergência bem-sucedida de nossos esforços de conquista.
Sentimos falta de algo ou queremos realizar algo. Este seria o início do estar pronto. Observamos, tememos, nos enchemos de coragem e partimos para a realização de nosso desejo.